segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

ADAPTAÇÃO AO MEIO LÍQUIDO

ADAPTAÇÃO AO MEIO LÍQUIDO

Um indivíduo pode-se dizer adaptado à água quando consegue estar à vontade dentro dela, não se incomodando com água em seu rosto, apresentando equilíbrio e um bom deslocamento vertical e horizontal.
Para se conseguir tudo isso, é necessário o trabalho de adaptação ao meio líquido.
Inicialmente o trabalho de adaptação nada mais é do que a transferência de uma sessão de brincadeiras para dentro da água.
Qualquer atividade pode servir como trabalho de adaptação, desde que se saiba o porque do que se está fazendo.
O próprio banho de chuveiro pode ser um bom começo para o trabalho de adaptação. Se formos pesquisar, não muito longe, com nossos próprios colegas, é muito provável que entre eles encontraremos alguém ou até mais de uma pessoa que não goste de tomar banho em ducha onde se cai bastante água na cabeça.
Este incomodo é um fato que nos revela inadaptação, pois quem gosta de água e tem controle sobre sua respiração, tanto não se incomoda como gosta muito da água sobre sua cabeça.
Como foi dito anteriormente, qualquer atividade pode servir como trabalho de adaptação ao meio líquido, desde que se saiba o porque do que se está fazendo.
Como saber o que se quer?
O trabalho de adaptação ao meio líquido passa por algumas etapas, conhecendo-as fica muito fácil determinar que tipo de brincadeira pode me servir para dominá-las, são elas: apnéia, flutuação grupada, flutuação ventral, deslize, mecanismo para a volta à posição em pé, sustentação em pé na água.

APNÉIA: Quando paramos de respirar, dizemos que estamos em apnéia. O tempo que se consegue ficar sem respirar varia de indivíduo para indivíduo e está diretamente relacionado à capacidade pulmonar de cada um. É muito fácil comprovar isto, basta pedir para que seu colega ao lado “prenda” a respiração (ou seja, fique sem respirar o tempo que conseguir) junto com você ao mesmo tempo e comparar a capacidade pulmonar dele com a sua. Fumantes e pessoas que não praticam esportes ou atividades físicas apresentarão uma capacidade pulmonar bem prejudicada.
É possível aumentar o seu tempo de apnéia fazendo exercícios que melhorem sua capacidade pulmonar.
A quantidade de ar inspirada no início da apnéia faz muita diferença pois, quanto maior o volume de oxigênio em seu pulmão, maior será seu tempo de apnéia.
Quando fazemos a apnéia, é preciso ter o cuidado de fazer um intervalo entre uma repetição e outra do exercício, pois é necessário recuperar a oxigenação na circulação sangüínea para que o cérebro não entre em débito de oxigênio, isso causaria um desmaio e perda de consciência.
FLUTUAÇÕES: podemos dizer que um corpo está em flutuação quando está totalmente submergido na água (inclusive a cabeça) sem se apoiar em nada nem ninguém. O grau de flutuabilidade varia de um indivíduo para o outro, como já estudamos anteriormente ela varia de acordo com a raça, o sexo, a textura óssea e a densidade muscular. Os pulmões também são de grande importância na flutuação pois a flutuabilidade também varia proporcionalmente à quantidade de ar inspirada, eles atuam como verdadeiras bóias e quanto maior a quantidade de ar nos pulmões mais eles irão contribuir para flutuação. Podemos flutuar em decúbito ventral, decúbito dorsal e grupado.

FLUTUAÇÃO GRUPADA: Nesta flutuação o corpo fica em posição fetal ou seja, com os joelhos dobrados, bem próximos ao peito, como se fosse um bebê dentro da barriga da mãe. A flutuação grupada é muito importante para a volta à posição em pé, pois ao executá-la o nosso metacentro (o quadril, que é o nosso centro do equilíbrio na água), se encontra em posição de domínio (de equilíbrio). As primeiras tentativas de flutuação grupada deve ser oferecida com apoio fixo, ou seja, segurando na borda da piscina por exemplo, ou nas mãos do professor, ou de algum colega mais experiente. Deve-se observar a postura de seu aluno neste momento, pois alguns detalhes te revelam o domínio dele sobre o exercício e só de olhar você consegue perceber quem está com medo, ou tem dificuldade. Sabe como? Observe suas mãos e braços na borda da piscina. Braços com cotovelos dobrados revelam medo e insegurança pois os braços se dobram porque o aluno tenta se agarrar na borda com medo de escapar dela. Observe também se as costas do aluno está na superfície da água como se fosse o casco de uma tartaruga. As costas deverão estar alinhada com a superfície da água. Caso não esteja, isso nos revela que este aluno está fazendo pressão com sua mão na parede, prejudicando a posição do seu corpo, apoiando-se mais do que o necessário. Estes detalhes te informam que aqueles alunos precisam de mais atenção e orientação do professor. Estes muito provavelmente ainda apresentem sintomas de medo.
A flutuação grupada facilita e torna mais rápida à volta à posição em pé. Pessoas que tem medo da água sempre apresentam desequilíbrio quando andam dentro dela, e deitar-se na água é um grande obstáculo pois a grande preocupação é a de não conseguir retornar à posição em pé. Nosso corpo dentro da água se comporta de maneira diferente ao que estamos acostumados. Como já estudamos anteriormente, a pressão, a turbulência, e todas as propriedades da água faz com que precisemos conhecer o meio líquido para saber se comportar dentro dele. É preciso conhecer suas propriedades para poder tirar proveito delas, sem achar que isso é um problema e descobrir que conhecendo-as ganhamos muitas vantagens .

FLUTUAÇÃO VENTRAL: nesta posição nosso corpo se posiciona em decúbito ventral, é nesta posição em que executaremos os nados crawl, peito e borboleta. É a mais fácil das flutuações, basta fazer a apnéia, colocar o rosto dentro d’água e esticar-se, mantendo seu corpo flutuando.
FLUTUAÇÃO DORSAL: esta flutuação exige um pouco mais de técnica, pois é necessário mais domínio de seu equilíbrio e um bom posicionamento do corpo. Logicamente o corpo se posiciona em decúbito dorsal, e aprenderemos na prática as manobras que facilitam o seu aprendizado. Ë nesta posição em que executamos o nado de costa, bem como vários educativos para o aprendizado dos outros estilos. No trabalho se adaptação ao meio líquido não iremos fazer uso ainda desta flutuação.

DESLIZE: como o próprio nome diz trata-se de deslizar o corpo pela água. O deslize é sempre conseqüência de uma propulsão vinda de um salto, um “empurrão”, ou de movimentos propulsivos de braços ou pernas. O deslize proporciona uma sensação muito agradável principalmente à aqueles que estão começando a perder o medo da água. O aprendizado da natação oferece experiências emocionais importantes como o vencer o medo, o aventurar-se, o superar seus próprios limites, ter coragem de tentar fazer...todas essas experiências contribuem para o amadurecimento emocional do indivíduo, e este é mais um motivo para tornar a natação o esporte mais completo que se possa oferecer à uma pessoa. Não estranhem se lhes chegarem alunos para aulas de natação por indicação de psicólogos, isso acontece com mais freqüência do que se imagina.

MECANISMO PARA A VOLTA À POSIÇÃO EM PÉ: o que fazer para conseguir ficar em pé quando o seu corpo se encontra totalmente esticado sobre a água?
Para quem já sabe nadar ou tem um bom domínio de corpo na água, isso pode não representar problema algum, mas para quem nunca viveu esta experiência, este é um grande problema. Muitas vezes esta é uma grande barreira para aqueles que tem medo da água. É impressionante como a pessoa ganha confiança em si mesmo, depois de transpor essa barreira.
O mecanismo para a volta à posição em pé é uma seqüência de movimentos muito simples de ser executada.
Quando entramos no trabalho de adaptação ao meio líquido, é importante oferecer o aprendizado das etapas de adaptação de forma que uma seja pré-requisito para a outra.
Por exemplo: somente após compreendida e dominada a apnéia é que iremos propor o aprendizado das flutuações, pois sabemos e concordamos que é de fundamental importância o domínio da respiração na flutuação. A primeira flutuação a ser ensinada deve ser a grupada, pois é com ela que encorajaremos o aluno a tirar o pé do chão, e é também ela quem vai ajudá-lo a voltar à posição em pé. Somente após dominada a flutuação grupada é que propomos o aprendizado da flutuação ventral, esta é a mais fácil. Para o seu aprendizado devemos sempre solicitar como primeiro passo a apnéia, seguida da colocação do rosto na água, a flutuação grupada, para somente depois esticar seu corpo na água.Depois de dominado os exercícios até aqui, sugerimos esta seqüência de movimentos de costas viradas para a parede, colocando sutilmente os pés apoiados na parede para que aconteça o deslize do corpo na água. Assim sendo, o aprendizado se dá com segurança, com confiança, com domínio dos exercícios propostos, sendo um, pré-requisito ao outro.
O mecanismo para a volta à posição em pé, nada mais é do que exatamente o processo inverso do que já foi feito até então.
Portanto, estando o seu corpo esticado na água, o que se tem a fazer nada mais é do que flexionar suas pernas retomando a posição da flutuação grupada (isso coloca nosso aluno em posição de domínio de equilíbrio), colocando os pés no chão e somente retirando a cabeça da água após os pés terem tocado o chão.
É importante insistir no detalhe de só retirar a cabeça da água depois dos pés terem tocado o chão.
O fato do aluno retirar a cabeça da água antes dos pés terem tocado o chão nos revela um estado de ansiedade, típico daqueles que ainda não estão bem adaptados, preocupados em sair logo daquela situação. Esta precipitação faz com que o aluno tenha dificuldade para ficar em pé. Estaremos sempre atentos a este detalhe.

SUSTENTAÇÃO EM PÉ NA ÁGUA: São movimentos muito usados como técnica de sobrevivência na água. Podem ser feitos somente pelos pés, somente pelas mãos, ou com mãos e pés juntos.
Devem ser feitos movimentos que empurrem a água para baixo.
Algumas pessoas tentam e sentem muita dificuldade em manter o equilíbrio do corpo nesta situação. É importante esclarecer que os movimentos deverão manter sempre o mesmo rítmo, não podem ser muito lentos, mas também não precisam ser exageradamente rápidos.É mais jeito do que força. O nível da água deverá permanecer à linha de seu pescoço e é importante entender que o seu corpo afundará o suficiente para encontrar o limite de flutuação entre o peso de sua cabeça (que neste momento é mantida fora da água) e a força de propulsão do movimento que você está fazendo. Às vezes a pessoa se assusta quando se sente afundando sem saber que isso acontecerá somente até seu corpo encontrar o equilíbrio, e acaba interrompendo seus movimentos antes de dominá-los. Portanto, lembre-se, se você quer conseguir, não pode desistir de continuar seus movimentos. Se você estiver aplicando força e rítmo adequado sua cabeça não irá afundar.
Pode-se conseguir ficar várias horas sustentando seu corpo em pé na água, mas no nosso caso iremos sugerir um mínimo de 10 segundos.

Esclareçam suas dúvidas.

Prof.ª MARISA SANCHES NOGUEIRA

3 comentários:

  1. Olá professora!! eu sou Paula Guimarães e sou professora da Equipe de Natação no Mar aqui em Rio das Ostras- R.J. Gostei muito do seu texto sobre Adaptação ao meio líquido e posso afirmar que no mar as experiências variam muito!!! A flutuação por exemplo, é bem mais fácil no mar!! AS brinaceiras e atividades de apnéia também ficam bem divertidas, tipo soltar o ar pelo nariz e buscar areia no chão... Fazer os exercícios de palmateio!! Muito bom poder dividir as experiências, né!! Beijos!!

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  2. Olá Professora, eu sou a fany e estou no meu primeiro semestre de educação física, achei muito bacana o que a senhora escreveu me ajudo muito, brigada bjos

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  3. ola professora, sou academica de educação fisica da Uepg, e as suas postagem no blog me ajudou muito a dar treino de natação para iniciação!

    beijos

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